quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sombras da noite

SOMBRAS NA NOITE

Era meia noite quando o guardião saiu da calunga pequena e foi de encontro a encruzilhada , avistou ao longe um vulto de mulher.
As lágrimas desciam dolorosas de sua face cadavérica.
Tencionava encontrar o esposo desaparecido há tempos!
Ao se aproximar o guardião falou com muita segurança:
_ Por que chorar? por quem não a merece irmã.
Acaso acreditas mesmo que suas lágrimas trarão o tempo perdido?
O mulher levantou a cabeça e enxugou as lagrimas, dizendo:
_ Eu não mereço o céu? Abandonei o meu querido companheiro.
_ O abandonas-te por sua própria vontade?
_ Não! fui levada a isso. Ele bebia muito, só queria saber de farra. Eu insistia para ter um filho e ele alegava não ter tempo para criança.
_ Ele não mereceu a sua dedicação! Para que então , minha amiga ficar remoendo remorso, não tens culpa de sua sorte.
_O sofrimento não tem fim , meu irmão?
_ Tem sim! e hoje ele acabou.- respondeu o guardião.
_ Para onde irei ? se estou largada depois de morta Nas ruas, eu tambem morri na sarjeta .
O guardião levantou a cabeça e disse:
_ Vou te levar a um lugar para aprender comigo. Lá eles não fazem discriminação! Vai aprender na mesma escola que encontrei o meu caminho , e o meu lugar.
Recolhendo a companheira o guardião afastou-se em questão de minutos devassando o invisivél chegaram a uma casa iluminada .
Junto ao portão um outro Guardião já o esperava.
_ Cuide bem dessa alma! Eu preciso continuar minha gira , voltarei pela manhã quando houver encerrado meus serviços.
Diga ao Pai Joaquim que eu o entrego a minha querida esposa para que ele a encaminhe nas sagradas leis de nosso Pai Oxalá como o fizera comigo.
O guardião abraçou o vulto de mulher depositando um osculo sobre sua face.
Ela sorriu e só então percebeu que aquele que viera ao seu encontro era o esposo abandonado , cujo os dramas da vida haviam selado com um destino não muito feliz.
Enquanto o guardião se afastava , uma gargalhada resoou pelos ares.

Relato de EXU SETE ( GUARDIÃO DAS ENCRUZILHADAS)
DITADO POR JOÃO
MÉDIUM LÍVIO BARBOSA.

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